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domingo, 26 de janeiro de 2014

O primeiro missionário entra em Timor


Há séculos, há muito tempo, os régulos de Timor, duma ponta a outra, juntaram-se no extremo da ilha para uma grande cerimónia sagrada.
No calor da dança, as gaitas de bambu e as tubas de chifre anunciaram a todos que no meio do mar, na extremidade da ilha, aparecera qualquer coisa parecida com uma armada; o que pusera a todos o coração em sobressalto.
Aqui, o régulo-chefe da extremidade da ilha cuidou e persuadiu-se de que aquela armada viria até ali para fazer guerra.
Mandou então dizer a todos os régulos que viessem sem falta, com seus guerreiros, suas espadas, armas, arcos e zagaias, para irem à praia esperar todos aqueles barcos.
Os nautas, vendo na praia a grande multidão de gente, compacta como as folhas duma árvore, fundearam os barcos ao largo, e apenas um se aproximou da praia.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lenda da fonte sagrada de É-Bua

Vista de Ataúro
Mau-Bua e Rita foram um dia ter a Mau-Láku, onde aquele veio a falecer. Rita, sua mulher, mascou umas folhas e bagos de bétel e uma noz de areca e meteu-lhos na boca, sepultando-o em seguida. Passados sete dias, nasceram à cabeceira da sepultura de Mau-Bua um pé de bétel e uma arequeira, à qual apareceu agarrado um pequeno animal que falava. Um sacerdote ouviu-o e quis saber o que pretendia, revelando-se então o animal como a encarnação de Mau-Bua e acrescentando que aquele lugar passaria a chamar-se É-Bua (água + areca) e, desde esse momento, se deveriam usar bétel e areca em todos os ritos. Rita transformou-se em polvo e fez brotar uma fonte que tem o nome de É-Bua e de que ela é a divindade tutelar, sendo em sua honra que, todos os anos, se celebra o rito da chuva, que dura três dias.

* Esta fonte fica situada no suco de Makíli, na ilha de Ataúro.

in DUARTE, Jorge Barros - Timor, Mitos e Ritos Ataúros. Lisboa: ICALP, 1984

domingo, 28 de julho de 2013

A nascente sagrada Uai-Dada, em Bercoli


Há milhares de anos, os nossos avós contaram que, de dentro dessa nascente, saíram muitos búfalos.
Perto dessa nascente, também havia uma várzea, que tinha o mesmo nome de Uai-Dada.
Nesta várzea, quando estava para chegar o neli, os búfalos sempre o estragavam, então, o dono da várzea, que era o Liurai de Uai Tu Nau, mandou o seu povo fazer vigilância, para apanhar os búfalos que vinham de noite, estragar o neli.
Numa certa noite, os vigilantes logo apanharam os búfalos que vinham de dentro da nascente. Os vigilantes estavam preparados e deixaram os búfalos entrar dentro da várzea, e daí os vigilantes foram atrás deles, com azagaias, os búfalos voltaram a entrar dentro da nascente, mas dois foram apanhados pelas azagaias e correram para fora. Daí, esses búfalos foram mortos, os vigilantes, em vez de os cortarem, deixaram para o dia seguinte.